Poema de, adivinhe, do génio Lobo. Que horror! Você consegue vislumbrar aqui algum talento literário? São quadras que… nem da aldeia, que humilha qualquer aldeão. Como é possível fazer deste homem o famoso escritor que tem o país intelectual em lágrimas? Depois falam mal de Salazar, acusando-o de impedir a cultura? E dão isto como exemplo dos cravos de 25 de Abril? Porra, não corra, reflicta, nem que seja com o dedo grande do pé.
Compreende-se a dificuldade da publicação do livro de poesia mais vendido em Portugal
Pachos na testa, terço na mão
Uma botija, chá de limão
Zaragatoas, vinho de mel
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes, que vou morrer
Mede-me a febre, olha-me a goela
Cala os miúdos, fecha a janela
Não quero canja, nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes não vales nada
Se tu sonhasses, como me sinto
Já vejo a morte, nunca te minto
Já vejo o inferno, chamas, diabos
Anjos estranhos, cornos e rabos
Vejo os demónios, nas suas danças
Tigres sem listras, bodes e tranças
Choros de coruja, riso de grilo
Ai Lurdes, Lurdes, que foi aquilo!
Não é a chuva, no meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes, fica comigo
Não é o vento, a cirandar
Nem são as vozes, que vêm do mar
Não é o pingo de uma torneira
Põe-me a santinha à cabeceira
Compõe-me a colcha, fala ao prior
Pousa Jesus, no cobertor
Chama o doutor, passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes, nem dás por nada
Faz-me tisanas, e pão de ló
Não te levantes, que fico só
Aqui sozinho a apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

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